A História da Mooca
No dia 17 de agosto de 1556,começava o marco de uma grande história, era o surgimento da Mooca. Segundo textos de Lybio Martire, Eugenio Luciano Jr., Lígia Maria Vaz Rodrigues, Nuto Sant’Anna, Edição da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo Comemorativa ao Aniversário da Mooca em 1985, a Revista Leste Acontece em Artigo de Pedro Corrêa e demais relatos obtidos em vários tratados sobre esta apaixonante História, com adaptações de Alberto Abrahão Elias os quais, transcritos linhas abaixo, nos dão clara visão sôbre uma das Histórias Regionais mais ricas e bonitas desta grandiosa Cidade.

Portal da zona leste

Não quer dizer apenas entrada para zona Leste, porque a entrada da Zona Leste é o Brás também, é a Vila Prudente também, isto está se referindo à época do Piquery, está se referindo à época de Brás Cubas, quando a Mooca era o caminho para a Zona Leste, e era o caminho para o Sudeste.

Perto do Núcleo Central de Anchieta, abriu-se de fato este caminho para a zona Leste e Sudeste do País. Caminho até de Bandeira.

Mas é a partir de 1567 que a região começa a ser melhor explorada, quando Brás Cubas recebe do Capitão-Mor Jorge Ferreira a sesmaria de São Paulo e passa a percorrê-la em direção ao Tatuapé e à Penha, regiões desbravadas pelo bandeirante.

A esta altura é importante lembrar que antes da Mooca surgir como povoado, outras épocas marcaram sua história; "Arraial de Nicolau Barreto", "Povoado" e , finalmente, "Bairro da Mooca". Por volta de 1605 era apenas "O Arraial de Nicolau Barreto.

Em 1608 um termo fazia referência à necessidade de conserto das pontes do Guarepe (ao norte da vila), sobre o rio Anhangabaú e da Tabatinguera ( a leste, atravessando o Tamanduateí). E em meados do século dezessete – em 1653 – tomavam-se providências para que se refizessem as pontes "debaixo desta vila"; a chamada Anhongabaí e a ponte de Manuel da Cunha "debaixo do Carmo".

Uma das fazendas do bairro pertencia ao Mosteiro de São Bento, na qual instalara, em 1631, uma olaria responsável pela produção de tijolos para Vila de São Paulo.

O caminho à direita, rumo ao morro da Mooca era utilizado no primeiro quartel do oitocentismo ainda pelos índios andarilhos, pelas tropas de burros, e pelos carros de boi, que se cruzavam também pelas ruas da cidade.

Começam a surgir fazendas que atingiam longas distâncias. Na planície que se estendia até a região do atual ABC, havia várias propriedades cuja produção chegava a São Paulo por trilhas e pelo Tamanduatei. Os caminhos e o rio, então navegável estimulavam diversos pedidos de terras nas regiões principalmente ao longo do Ribeirão da Mooca. Onde hoje se localiza o alto da Mooca.

Em que pesem porém todos os óbices, a ponte subsistiu algumas dezenas de metros do local primitivo em que se encontrava em 1556 ou em 1730, no sopé do morro, quase na embocadura do caminho que se transformaria na Rua Tabatinguera, ainda lá se encontra hoje, em sólida estrutura de cimento armado. Só não subsistiram a paisagem agreste das velhas centúrias e os costumes românticos do oitocentismo, quando por ali zanzavam escravos, pescadores e lavadeiras, como também espaireciam estudantes, burgueses, ociosos, gente de todas as classes, constituindo o célebre arrabalde fluvial, um dos recantos mais aprazíveis da pequena cidade provinciana

Como tudo começou

São Paulo em tempos idos era uma cidade pequena de pouco mais de trinta mil habitantes. O paulistano ainda não havia contemplado o surto de extraordinário progresso que só os dias futuros trariam.

Compulsando uma série de antigas plantas da cidade de São Paulo, temos oportunidade de verificar o lento desenvolvimento da Mooca até o começo deste século, a paulatina seqüência da criação de suas ruas. É evidente que em qualquer outra planta, não estão identificadas todas entradas ou caminhos existentes e que depois se transformaram em ruas, porém aparecem as mais importantes.

Começando pela famosa planta de 1810, de Rufino José Felizardo e Costa, notamos que não existe nela, a identificação de um único bairro. A planta limita-se apenas ao que hoje é o centro da cidade, sem nenhuma identificação. Localizamos o que seria a região da Mooca apenas pela ponte sobre o rio Tamanduatehy, no fim da atual rua Tabatinguera.

Já em 1841, consta uma estrada como "Caminho da Mooca" e uma estrada sem nome, facilmente identificável sendo a atual rua Piratininga. Entre a várzea do Tamanduatehy e essa estrada sem nome, não há nenhuma rua demarcada, apenas divisões indicando possivelmente sítios ou chácaras.

A situação é a mesma em 1842 na planta de José Jaques da Costa Ourique e em outra de C. A. Bresser (sem data), nessa planta, o caminho sem nome de 1841, é agora "Caminho para a Mooka", ( com "K"). Ao que parece essa foi a primeira designação da rua Piratininga, cabe uma observação: por que entre a antiga Várzea e a freguesia do Bras, somente a atual rua Piratininga foi a primeira rua (ou caminho) aberto para a Mooca?

Sabe –se que toda a área compreendida entre o Rio Tamanduatehy e a atual rua Piratininga, embora não sendo totalmente a várzea, era facilmente inundável. Daí a abertura de um caminho onde o terreno já era suficientemente firme e garantido para todas as épocas do ano. A Rua Carneiro Leão, por exemplo, só surgiu muito mais tarde.

A moça bandeirante ainda alongava os olhos amorosos por detrás das rótulas das janelas para espreitar a medo a passagem do vulto querido... São Paulo era um templo de paz. Só o estrépito dos cavalos que passavam pelas ruas quebrava de quando em quando essa tranqüilidade.

O tempo foi passando e a Mooca crescendo e com isso surgiram os imigrantes, Húngaros, Italianos, Espanhóis, Lituanos e com eles o aparecimento de grandes fábricas e indústrias: o comércio se expandiu também, trazendo para cá o crescimento rápido de uma população, que até hoje permanece na Mooca.

Os índios se foram, deixando somente marcas de um passado respeitado por nós mooquenses, os imigrantes deixaram seus descendentes que continuaram com a garra de crescer e vencer como seus antepassados. E aqui estamos, diante da evolução dos tempos, diante do crescimento incessante de nossa população, que se interessa e se preocupa com o desenvolvimento do nosso bairro; A MOOCA!

O ano de 1890 prenuncia o aumento dos loteamentos de chácaras no início da Rua da Mooca . Casas instalam-se em terrenos loteados nas imediações do Hipódromo e na várzea do Tamanduateí, onde o valor baixo dos terrenos atraiu fábricas e operários. Assim, começa a ser desenhado o perfil que ainda hoje se nota perto da ferrovia: próximo as fábricas e chaminés de tijolo a vista, surgem casinhas e sobradinhos geminados, com características despojadas e sem jardim na frente, seguindo o alinhamento da rua. Entre 1870 e 1890, estima-se que pelo menos 40 fábricas começaram a operar na região.

Um acontecimento: o JOCKEY

A Mooca nascente correu depressa. Dois anos após o ato de criação, o seu perímetro urbano era tomado de um suceder de belas construções e de pequenas moradias, mais modestas, mas que não faltava graça. Mais nove anos, em 1876, Rafael Aguiar de Barros, senhor de muitas terras, criava o Clube Paulista de Corridas de Cavalo. Inaugurado oficialmente em 1890, transformando o lugar em um envolvente centro de lazer.

Significava também o nascimento do turfe no Brasil e a semente do atual Jockey Clube. Os cavalos chegavam diretamente da Inglaterra e França, e Rafael Aguiar Paes de Barros os criava em sua fazenda no Alto da Mooca. Tão importante em nosso progresso a criação do Jockey Clube que, em 1877, para atender aos aficionados do turfe se instalou a linha de bonde Mooca-Centro movida por tração animal, inaugurada em 1872. Mais tarde foi ela substituída por uma linha férrea.

Jules Martin, o construtor do primeiro viaduto em 1877, em planta desenhada por Francisco Sangoni: Essa planta na parte da Mooca é interrompida na ponte da Tabatinguera, porém como é uma planta "alegórica" o Hipódromo ali está desenhado , com uma explicação: "localizado a 3891 metros da ponte da Tabatingüera ".

Na Mooca, ao tempo de sua criação, ainda pelos seus caminhos rústicos, mas com ruas arborizadas transitavam tropas de burros, carros de bois e cavaleiros. Tudo isso por bem pouco tempo. Logo esse cenário bucólico e primitivo iria desaparecer sob o violento empurrão do progresso. Exatamente naquele longínquo 1867, São Paulo começaria a transformar-se com a chegada da Estrada de Ferro Inglesa, a São Paulo Railway.

Um ramal estendeu-se até o bairro da Mooca, com trilhos colocados ao leito de uma rua – Rua dos Trilhos. Esse ramal saia da linha principal, na altura da atual Universidade Anhembi Morumbi – antiga Fábrica da Alpargatas – fazia uma curva sob o atual viaduto da Zona Leste e entrava pela estrada posteriormente denominada Rua dos Trilhos, e na Rua do Hipódromo entrava à esquerda até a Bresser, frente aos portões do Hipódromo

Derradeiros anos do século passado. A locomotiva se arrastava fumegante anunciava uma nova civilização. Os primeiros imigrantes italianos chegavam a São Paulo para ajudar a construir a Civilização de Café. As chaminés tingiam de fuligem o céu imaculado da Mooca. Novamente Jules Martin edita uma planta em 1890, desta vez de sua autoria onde define claramente as ruas: Mooca, Piratininga, Carneiro Leão, Luiz Gama, e Concórdia. Nessa planta, pela primeira vez, aparece o nome Mooca dando destaque ao bairro.

          Idade Fabril

Por esse tempo, a presença italiana já se faz notar. Entre 1870 e1890, a região ganha as primeiras fábricas de massas, como Carolina Gallo e Romanelli.

Em 1891, chega a Companhia Antártica Paulista, que vem fazer companhia a cerveja Bavária, situada na chácara do engenheiro Fox. Em 1905, a Antártica compraria a Bavária, numa importante transação da época.

Confirmando a vocação fabril do bairro , o fim do século 19 é marcado pela chegada das primeiras indústrias têxteis, impulsionadas pelo crescimento das lavouras de algodão no interior Paulista. O Cotonificio Crespi, inaugurado em 1897, foi o pioneiro. Seguiran-se a Tecidos Labor, a Alpargatas, a Santa Celina, a Tecelagem Três irmãos Andraus, a fabrica de Meias Mousseline, a Varam Tecelagem e Fiação, entre outras. Às fábricas têxteis vêm juntar-se a empresas de outros ramos, como a Companhia de Louças Esmaltadas, Papeis Madi, Frigorífico Anglo, Máquinas Piratininga, Alumínio Fulgor, Calçados Clark. Em 1910 com a criação do distrito de paz, a Mooca separa-se do Brás e passa a existir oficialmente como bairro - pura formalidade para uma região que somava então mais de 350 anos.

  • Irmãos Di Cunto (1878)
  • Companhia União dos Refinadores (1886)
  • Fiação e Tecelagem Aramina (1895
  • Companhia Antártica Paulista (1891)
  • Cotonificio Rodolfo Crespi (1897)
  • Grupo Escolar Osvaldo Cruz (1914)
  • Paróquia de São Januário - San Gennaro (1914)
  • Escola de Commercio Brasilux (1921)
  • Clube Atlético Juventus (1924)
  • Lorenzetti (1927)

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