Lobisomem

Caboclo opilado, extremamente descorado, ressequido e de sombrio aspecto, produto do sétimo parto, às sextas-feiras, à meia-noite, procura os galinheiros, onde se esponja nas fezes e se alimenta das mesmas, metamorfoseando-se em um grande cão de enormes orelhas pendentes, que estralam no calor da carreira na qual sai o desgraçado para percorrer sete bairros antes do nascer do sol, em cumprimento ao seu triste fadário.

Se mulher, transforma-se em uma bruxa ou uma grande e bravia porca acompanhada de sete leitões e sai, estrada afora, a atacar os retardatários forasteiros. Quem for ferido das agudas presas do duende, terá o mesmo fadário; quem, porém, a ferir derramando-lhe o sangue porá fim a sua triste sina.

Narra a lenda que sendo uma mulher casada com um lobisomem, só lhe soube a sina quando, certa noite, despertou sobressaltada com um enorme cão dentro do quarto.

Gritou apavorada para o marido que julgava a dormir e o cão, enfurecido, atacou-a esfacelando-lhe a dentadas, a saia de baeta vermelha que vestia.

Na manhã seguinte, ao surpreender entre os dentes do marido filamentos de lã de sua saia, compreendeu horrorizada o desgraçado destino, abandonou-o e levou o resto da vida a penitenciar-se do tempo em que coabitou com o horrível duende.

Outras tradições dizem que filho que nasce da união entre parentes ou de mulher casada amancebada com padre.

Nota :
Mito muito popular em todo Brasil principalmente no meio rural. De origem Européia, esta variante Brasilleira foi introduzida aqui provavelmente pelos Portugueses.

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