O MÉDIUM E O PRÓXIMO


“O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”. Marcos _ cap. 12, v.31.

O texto nos remete a reflexão da importância de darmos ao próximo o mesmo interesse que esperamos que as pessoas tenham sobre nós.

A frase presente aparentemente demonstra uma construção singela de termos, mas esconde na verdade uma profundidade tamanha que, bastaria tão somente obedecermos ao comando nela contido, que já estaríamos integralmente nos conduzindo no caminho do bem, do esperado, do preparado por Jesus.

Se o primeiro mandamento é amar a Deus, o segundo por conseqüência lógica é entender que, Deus em seu amor infinito nos concedeu nosso próximo para com eles compartilharmos as experiências no laboratório do Orbe terrestre.

Não existe na engenharia divina ato perdido, sem fundamento, destituído de todo e qualquer motivo que não seja, o aperfeiçoamento espiritual, através dos atritos instalados nas discórdias de natureza ideológica ou de ponto de vista distintos com relação a determinada circunstância; o que se busca na verdade com essa experimentação é polir nossa alma, auxiliando-nos a lustrar o nosso “eu”, objetivando acima de tudo adestrar as virtudes do céu, que foram impressas em nosso íntimo quando criados.

O próximo sou eu próprio, imbuído de um outro contexto, somos individualizados, pelas experiências que angariamos no decorrer de nossas existências, apreendendo a cada época em tempo apropriado novas lições, aperfeiçoando-nos em novos aprendizados, propiciando a possibilidade de ver as coisas ao redor com perspectivas distintas, mas acima de tudo, não nos esquecendo que, paira acima de todas as diferenças, a essência da qual indubitavelmente todos dela descendem, Deus.

O médium não é um privilegiado do ponto de vista de possuir as faculdades inerentes a todas as criaturas de maneira mais ostensiva; torna-se por outro flanco num necessitado da existência do próximo para nele praticar os ensinamentos e a proposta do bem.

Somos trabalhadores da seara de Deus, somos responsáveis, pelo segmento da reeducação, se é que se pode falar nesses termos; somos na verdade, os intermediários entre as dimensões distintas, mas nem por isso inexistentes, para viabilizar a comunicação entre os dois planos; mas acima de tudo, depositários da esperança de Deus, que em nós, clama pela fidelidade do precioso bem depositado, reclamando nossa ostensiva conduta no bem, com assédio marcante sobre nosso próximo, em vista a naturalmente resgatá-lo ao caminho do amor.

O próximo como já dito, somos nos em outra perspectiva, em outra sintonia de pensamentos, de atitudes, de reações, pois cada qual é um indivíduo, mas que nem por essas características passageiras, poderiam se apartar da fonte única da qual fomos criados.

O medianeiro traz a possibilidade de propiciar ao próximo os conhecimentos de Jesus de uma maneira mais límpida e desprovida dos cuidados dos homens, que vez ou outra, conduz as lições do mestre de maneira a atender interesses menos dignos.

Cabe ao médium, enorme responsabilidade daquilo que se comprometeu a abraçar, ciente da impossibilidade de retorno após a escolha da trilha, sendo necessário primeiro, uma reflexão interna em si próprio, para posteriormente iluminar o terreno alheio.

O sol deve despontar de maneira natural sobre o solo, e não por força da imposição.

Portanto, o veículo de intermediação da qual é dotado o médium, deve com o maior rigor possível, oferecer ao seu próximo, lições, através do exemplo, com a menor, ou se possível, total isenção de opinião própria sobre as lições.

Se somos médiuns e temos a oportunidade de praticar foi por graça e não privilégio, foi por necessidade e não por vaidade.

Somos na maioria das vezes os maiores devedores na contabilidade das existências, portanto, não devemos vacilar ou nos enaltecer em sermos médiuns, antes de tudo, nos cabe, praticar o amor vivenciando Jesus, sem mercantilismo, com o que o Pai celestial nos concedeu como laboratório e ferramenta, para nossa experimentação, o planeta Terra, e o nosso Próximo.

Duraid Bazzi 2006
Colaborador da Casa Bezerra de Menezes Vila Mariana.