O CADARÇO
Depera Gelles

Antonio Deprera, um brasileiro, não como a maioria, um homem que defendia seus direitos, e que gostava das coisas corretas, talvez um rebelde. Ele tinha um armazém de “Secos e Molhados”.

No seu estabelecimento ele vendia de tudo um pouco, desde alimentos, produtos de limpeza, bota e etc..., é, e foi por causa do etc...que ele levou uma multa.

Essa história é verídica e aconteceu por volta de 1937. Um fiscal entrou no seu armazém e começou a vistoria, olha daqui, olha de lá e então...o etc...
- O sr. Está sendo multado por vender tecido em um estabelecimento de secos e molhados.
- Qual produto está errado?
- O cadarço, pois se trata de tecido, se não gostou da multa vá reclamar com Getúlio!

E foi o que ele fez, escreveu uma carta indignado. Que dizia: Posso vender as botas, mas não posso vender os cadarços , e disse com enormes letras “meu dinheiro não é capim”. Enviou e sentiu a alma lavada.

Passado alguns dias, entra um guardinha no estabelecimento avisando a mando do delegado da cidade que tinha uma ordem de prisão para ele, e que o delegado (sendo seu amigo) o avisou para que fugisse , assim não teria o flagrante.

Só deu tempo de pegar o paletó, tomar o primeiro trem e ficar sumido por 15 dias. Quando voltou ainda teve que gastar com advogado.

Getúlio era fogo, tinha o poder de um ditador nas mãos, Antonio Deprera, era apenas um brasileiro, minoria, com coragem, e que reclamava seus direitos, isso não entrou para a História do Brasil, mas para a história de nossa família, minha mãe achando que meu avô era um cabeça dura, e eu achando ele um herói. Ah, você vai achar estranho ele ser Deprera e eu Depera? Isso foi um erro de Cartório, mas isso eu conto um outro dia.