Avena e Misteu
Depera Gelles


Avena era uma bela camponesa cortejada pelo poderoso Aragon cavaleiro real de bravura conhecida em seu país e nos com os quais havia travado batalhas, o romance ia bem, as vezes Avena queixava-se da solidão que sentia quando Aragon partia em missões ou batalhas. Um dia houve uma comemoração no vilarejo, e foi nesta noite que Avena conheceu Misteu, o melhor amigo de Aragon, foi um momento mágico, seu coração acelerou ao apertar-lhe a mão, porém foi recíproco, Misteu se apaixonou a primeira vista. A cena foi meio constrangedora para Aragon que não entendeu o desalinho sem graça do amigo, e durante a noite teve muita dança,

Avena tentava acalmar seu coração, mas seus olhos pareciam sempre buscar os de Misteu, que nunca desviava os dele, mas ao pensar no quanto ele e Aragon eram amigos, nas vezes que um já salvara a vida do outro, achou que podia se recompor e esquecê-la. E assim o resto da noite tentou olhar para outras moças, mesmo sentindo que era em vão.

Os dias se passaram, e novamente o destino resolveu uni-los em uma ocasião triste, a morte do pai de Aragon, o rapaz estava arrasado em consolava-se com sua amada, Avena se sentia um pouco culpada por estar amando outra pessoa e não ser sincera com Aragon, mas esse não era o momento certo, agora seu coração teria que esperar, afinal não era justo magoar ainda mais Aragon.

Queria dar um fim ao seu relacionamento e ir correndo para os braços de Misteu, mas que tragédia isso acontecer justo agora, achou que estava condenada a ficar para sempre com Aragon, os olhos tristes dos amigos se encontraram, e Misteu não conseguiu encarar o amigo, sentiu-se o pior dos mortais, uma cobra, um traidor, como podia amar a mulher de seu amigo, como se permitiu isso? O fato é que seu destino estava traçado, e ninguém foge ao seu próprio destino.

E assim após o enterro de seu pai, Aragon teve que partir para um reconhecimento de combate, estava triste, mas sua armadura impunha o respeito que sempre fez por merecer. Chamou Misteu em um canto e pediu que ele cuidasse de Avena, pois sabia o quanto ela detestava ficar só. Misteu tentou arranjar algumas desculpas para isso não ser possível, mas o amigo insistiu, pois passava por uma perda, e não agüentaria a segunda.

Misteu tentou ficar o mais longe de Avena que pode, até que um dia recebeu a noticia de que ela estava muito doente, e que precisava de cuidados
Sem pensar muito a levou para sua casa, com a ajuda de sua criada seria mais fácil cuidar da moça, Ban, era criada dos pais de Misteu, e após a morte deles continuou a cuidar dele como se fosse seu próprio filho.

Avena estava inconsciente e febril quando chegou e nem se dava conta de onde estava, porém Ban, logo percebeu o olhar de carinho de Misteu para ela. Dois dias se passaram, e Avena não melhorava, Misteu pensou que ia perde-la, amava tanto, mas jamais trairia o amigo que sempre confiou tanto nele, seu coração ardia, tanto quanto o pobre corpo febril de Avena, sabendo que a moça estava inconsciente, ele não resistiu, abaixou lentamente, e seus lábios se encontraram com os dela, ele nunca tinha sentido tal sensação, medo, amor, desejo, culpa.

E assim mais alguns dias se passaram, Avena estava melhorando, e ele esperava que ela dormisse, e a beijava, porém o que ele não sabia era que aquele sono tão profundo da moça tinha um motivo: esperar sua boca juntar-se a dele. Ela também o desejava, mas isso seria magoar alguém que sempre cuidou dela. Então, conversaram sobre seus sentimentos e como seria infeliz a vida de Aragon com tamanha traição, prometeram que suas almas seriam uma da outra para sempre, e que um dia elas ficariam juntas, mas nessa vida teriam que abrir mão da felicidade. E assim foi feito, Misteu afastou-se, a amava de longe, com a alma, e ela também.

Na primavera os campos estavam floridos com lindas flores amarelas, Avena pegou um velho cesto para colher algumas, quando caminhava pelo campo, sentiu que alguém a seguia, ao olhar para trás viu Aragon sorrindo, ela correu finjindo fugir dele, os dois se divertiam com essa falsa fuga, quando ao longe Avena avistou no castelo em ruínas, um cavaleiro negro, mesmo longe ela pode sentir a tristeza dele em seu coração, era Misteu, ele observava cada gesto, e isso fez com que ela desejasse morrer, assim teria a chance de encontra-lo novamente, e finalmente ser dele.

Muitas vidas se passaram, muitas vezes Avena esteve próxima de Misteu , mas ainda não conseguiam ficar juntos.

Essa é uma estória de amor, que pode ter acontecido mesmo, ou não, o importante é nunca perder a vontade de estar perto, cada dia é uma nova oportunidade.